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0. João, um Evangelho espiritual 1. Os símbolos no Evangelho de João: O símbolo: o significante, o significado e a linguagem das verdades do “céu”. João diz que Jesus fez ainda outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, crendo, tenhais a vida nele (Jo 20,30-31). Os símbolos partem da realidade quotidiana. 2. As festas são o enquadramento destes símbolos: Sábado, Páscoa, Tendas, Dedicação, casamento, funeral. Há alusões ao rito da luz e da água, na festa das Tendas. Na última Ceia, há a cerimónia comum às festas (purificação). A crucifixão está cheia de ressonâncias do Cordeiro pascal. Jerusalém e o jumento do rei pacífico. As festas explicam temas como: a nova vida… A morte e a vida… o bem e o mal… Em Jesus, novo Templo, se cumprem as festas do Templo. A Páscoa: Ele expulsa bois e ovelhas dos sacrifícios (2,13-25); João 6 e a Eucaristia pascal; Ele morre como Cordeiro pascal. Pentecostes. Tendas e o poço-Rochedo (Samaritana). 3. Quem é Jesus? É a pergunta de todos os Evangelhos. João responde: Ele é o Verbo feito carne (l,1-18; ver Mc 8,27-30). Em João, não há o episódio de Cesareia de Filipe, mas o de Cafarnaúm. A pergunta está subentendida nas afirmações Eu sou, que Jesus repete. Quando os personagens passam por Jesus, há sempre este intercâmbio: Eu sou... Tu és... (1,39.48.50-51...). Diferença dos Sinópticos: Nestes, Jesus não fala de si, ao contrário de João: o Eu sou é abundante em João, ao contrário dos Sinópticos. O mesmo se diga do Tu és... * Mas toda a vida de Jesus é uma revelação da sua pessoa e não apenas as afirmações, suas ou das confissões de fé de outras pessoas. * Isto pretende afirmar que Jesus é o centro da Lei e da fé do discípulo. O absoluto, ao qual o discípulo deve aderir com todas as suas forças. 4. O papel de João Baptista: Ele apresenta Jesus como superior ao Antigo Testamento, aquele que traz a novidade total (1,19-30). Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Nas bodas de Caná, Jesus traz já o vinho novo. Os Sinópticos (Mateus e Lucas) têm o capítulo das “apresentações” (cap. 1-2). Imagem do cordeiro: da fragilidade à vitória final: um povo oprimido renasce (Apocalipse). O cordeiro triunfante da Cruz-Páscoa; Servo sofredor e vencedor de Isaías. A minha hora ainda não chegou!: na Cruz-glória haverá vinho (da salvação) em abundância: a fonte da água e do sangue. Este “Sinal” pretende cativar discípulos (v.11), que vêem a Glória de Deus (Antigo Testamento). A Igreja serva. João vai desaparecer (Antigo Testamento) para deixar o lugar a Jesus-Esposo. Vinho velho – vinho novo. 5. Sentido do Eu sou: Não é necessariamente o de Ex 3,14-15, mas muito próximo disso (1,1.18). Mediante os discursos e os sinais, equivalentes aos milagres dos Sinópticos, Jesus revela quem é. * Este Eu é exclusivo. Só Jesus é o pão da vida, a porta, a luz do mundo... Ele cumpre as promessas do Deus do Antigo Testamento (Emanuel). Por Ele nos vêm todos os dons de Deus. A origem de Jesus: Todo o Evangelho é um jogo entre De onde vens Tu? e Eu venho do Pai! Nós não sabemos (oida) de onde vimos. Jesus sim. Nós apenas aprendemos o que nos dizem (ginosko). Muitas vezes (6), Jesus diz que saiu de Deus (exerchomai). 6. Relação Pai-Filho: Jo 20,30-31: Esta era certamente a perícopa final de João. É o objectivo da vinda de Jesus ao mundo e da escrita deste Evangelho: Suscitar a fé em Jesus. Filho de Deus é o segredo da sua pessoa (Mc 1,1). Relação não única – também aparece nos Sinópticos (Mt 11,27; Lc 10,21-22) – mas mais abundante. * Sendo única a relação de Jesus com o Pai, praticamente não existe em João (diferente dos Sinópticos) a relação Pai-homens. Só em Jo 20,17 aparece vosso Pai. Isso indica a relação íntima de Jesus-Pai. Mas não exclui os homens explícita e sobretudo implicitamente. * Jesus fala do Abbá (pater) – tal como os Sinópticos – nas suas orações, porque a relação íntima com o Pai está em função da salvação dos homens. 6.1. Jesus é o Mediador. Nisto, João não é muito diferente dos Sinópticos. Aqui, as pessoas adivinham e falam de Jesus. Em João, é Jesus que diz tudo de si mesmo. Ele é o Mediador entre o Pai e os discípulos, que são chamados a estabelecer com o Pai uma relação semelhante à do Filho, o que é mais que uma simples imitação de Jesus (ver 13,14-15). Porque tem origem na relação Pai-Filho, ninguém consegue reproduzi-la. 6.2. Filho Unigénito: Só João utiliza esta expressão (1,14.18; 3,16.18). No caso de Lucas 7,12, refere-se à perda irreparável do filho único. Os Sinópticos dizem amado (agapetós), mas equivale a único (monogenés). Passa-se do campo do mandamento ao do amor. A relação Pai-Filho-ovelhas: o Bom Pastor. Os falsos pastores e o Bom Pastor (10,28-29). 7. A Vida nova: O nascimento “de novo”, “do Alto”; a gnose; carne/espírito (vem de Deus); pela água e pelo espírito. A serpente de bronze e Jesus erguido: 3,1-21. * A água viva: Samaritana: 4,1-42. Simbolismo da água e do poço no Antigo Testamento. * O Pão do céu: multiplicação dos pães (6,1-71); está no centro dos 7 sinais. A tradição sinóptica tinha transmitido 5 relatos de multiplicação de pães (em Lucas apenas 1). Havia aí indicações da Ceia, nos gestos de Jesus (eucharistein). O peixe e o pão aparecem nas catacumbas. O lugar “deserto” de João faz apelo ao pão do Êxodo. Este é o pão da nova comunidade. Jesus faz pergunta “provocatória”, como em todo o discurso: Bem sabia o que ia fazer... No fim, isso leva os discípulos a optar. Os pães de cevada lembram a multiplicação dos pães de Eliseu (2 Rs 4,42-44). Isso provoca a admiração e a ligação do público ao Profeta que estava para vir ao mundo (em Mc 6,45, Jesus obriga os discípulos a embarcar). * Os que comeram foram simples semeion do verdadeiro Pão da Vida. Para o povo, não tinha sido isso. Por isso, Jesus diz-lhes: Trabalhai, não pela comida que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna (6,27). • Diferentemente da Lei das obras dos judeus, Jesus propõe outra obra: Crer naquele que o Pai enviou. Esse é o grande “trabalho” do discípulo de Jesus. * O maná de Jesus dá a verdadeira vida – a eterna (já agora), em oposição ao maná do deserto do Êxodo. • A Palavra, que o crente deve comer, é o fundo do discurso: Ez 2,8-3,3: rolo da lei que é comido: o pão da palavra. * Há aqui alusões à Eucaristia e à Ceia pascal. São importantes os verbos: ver, acreditar, crer, comer, beber. Este final do discurso – ligado ao sacramento – só era possível ser dito no contexto das primeiras comunidades e não aos judeus. * Há equivalências entre João e a Ceia pascal dos Sinópticos e 1 Cor 11,23-25. Os discípulos são chamados a optar (6,60-71). O v. 64: Os Doze são chamados a responder, e Pedro responde em nome deles (v.68-69). Jesus liga esta confissão (v.70-71) com o ambiente da traição de Judas, na Ceia. 8. Jesus, Filho do Homem. Expressão utilizada muito menos vezes que nos Sinópticos e para explicar a origem de Jesus. Exprime a sua missão. Apesar de em Dn 7,13-14 ser o Filho do Homem glorioso, Jesus introduz um outro valor semântico oposto: a sua missão de servo humano sofredor. É o oposto do Filho do Homem, que vem do céu, segundo a linguagem apocalíptica. Nos quatro Evangelhos tem a dupla valência. * Nos Sinópticos, o Filho do Homem é sofredor – Paixão. Em João, trata-se de um movimento de subida, exaltação (à cruz), depois da descida à humanidade (3,14; 8,28; 12,23-24; 13,31). É próprio de João este vocabulário, e aproxima-se da linguagem apocalíptica. Isto é, o acontecimento maior da História encontra-se já presente (escatologia realizada). 9. Na Paixão, Jesus aparece como Deus, controlando os acontecimentos (19,30.37; ver Zc 12,10). * Quando tiverdes erguido ao alto o filho do homem, então ficareis a saber que eu sou (8,28), isto é, depois da Ressurreição. * Na Paixão, Jesus deixa de fazer discursos. Deixa que os homens cumpram a sua tarefa. Eis o Homem: manifesta irritação de Pilatos contra os sacerdotes e também desprezo por Jesus. A cena do Ecce homo exprime a comparação com o Homem de Daniel 7,13-14. Jesus já se tinha identificado com ele. É o investido por Deus. Homem é um dos títulos de Jesus em João. Esta é a glória do Filho de Deus (1,14). * Eis o vosso Rei é ainda mais depreciativo que a frase anterior de Pilatos. * Em João não há o interrogatória feito pelo Sumo Sacerdote, porque não é preciso. A sua condenação já estava decidida em 11,50-53. • A inscrição da cruz aparece nos 4 Evangelhos. Nos Sinópticos exprime desprezo, mas em João é a entronização real, apesar da paródia de Pilatos. Este é conduzido por Deus a dizer quem é realmente Jesus (ver 8,28). 10. Conflito com os judeus: É o modo de pôr em destaque a sua origem. A importância do Sábado em João entende-se neste contexto. Só Jesus e os que estiverem com Ele conhecem o Pai. E só estes conhecem Jesus. * Capítulo 8: Quem és Tu? O mistério da Pessoa de Jesus e a questão colocada pelos judeus às primeiras comunidades: Quem são os verdadeiros filhos de Abraão? (Sinópticos e Gálatas). 11. Prólogo: Um dos mais belos hinos no Novo Testamento. Estrutura concêntrica e principais afirmações (v.18-21). Importância do v.14: a “tenda” e a “glória”. 12. Caná (2,1-12): l° “Sinal” da glória de Deus em Jesus. Vinho do novo Reino em oposição ao vinho velho (Antigo Testamento). O Esposo do banquete é Jesus. João Baptista representa o “jejum” do Antigo Testamento, o que o acompanha (Jo 3,27-29; Mt 11,1819). Muita produção de alimentos é sinal dos tempos messiânicos. Maria é a Mulher-Mãe do Messias: Fazei o que Ele vos disser [1] Ver Cadernos Bíblicos nº 11, Para ler o Evangelho segundo S. João (de Annie Jaubert), Difusora Bíblica, Lisboa/Fátima, 1982; nº 40, Jesus Cristo no Evangelho de S. João (de Jacques Guillet), ib., 1993.
JESUS CRISTO EM S. JOÃO[1] 0. João, um Evangelho espiritual 1. Os símbolos no Evangelho de João: O símbolo: o significante, o significado e a linguagem das verdades do “céu”. João diz que Jesus fez ainda outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, crendo, tenhais a vida nele (Jo 20,30-31). Os símbolos partem da realidade quotidiana. 2. As festas são o enquadramento destes símbolos: Sábado, Páscoa, Tendas, Dedicação, casamento, funeral. Há alusões ao rito da luz e da água, na festa das Tendas. Na última Ceia, há a cerimónia comum às festas (purificação). A crucifixão está cheia de ressonâncias do Cordeiro pascal. Jerusalém e o jumento do rei pacífico. As festas explicam temas como: a nova vida… A morte e a vida… o bem e o mal… Em Jesus, novo Templo, se cumprem as festas do Templo. A Páscoa: Ele expulsa bois e ovelhas dos sacrifícios (2,13-25); João 6 e a Eucaristia pascal; Ele morre como Cordeiro pascal. Pentecostes. Tendas e o poço-Rochedo (Samaritana). 3. Quem é Jesus? É a pergunta de todos os Evangelhos. João responde: Ele é o Verbo feito carne (l,1-18; ver Mc 8,27-30). Em João, não há o episódio de Cesareia de Filipe, mas o de Cafarnaúm. A pergunta está subentendida nas afirmações Eu sou, que Jesus repete. Quando os personagens passam por Jesus, há sempre este intercâmbio: Eu sou... Tu és... (1,39.48.50-51...). Diferença dos Sinópticos: Nestes, Jesus não fala de si, ao contrário de João: o Eu sou é abundante em João, ao contrário dos Sinópticos. O mesmo se diga do Tu és... * Mas toda a vida de Jesus é uma revelação da sua pessoa e não apenas as afirmações, suas ou das confissões de fé de outras pessoas. * Isto pretende afirmar que Jesus é o centro da Lei e da fé do discípulo. O absoluto, ao qual o discípulo deve aderir com todas as suas forças. 4. O papel de João Baptista: Ele apresenta Jesus como superior ao Antigo Testamento, aquele que traz a novidade total (1,19-30). Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Nas bodas de Caná, Jesus traz já o vinho novo. Os Sinópticos (Mateus e Lucas) têm o capítulo das “apresentações” (cap. 1-2). Imagem do cordeiro: da fragilidade à vitória final: um povo oprimido renasce (Apocalipse). O cordeiro triunfante da Cruz-Páscoa; Servo sofredor e vencedor de Isaías. A minha hora ainda não chegou!: na Cruz-glória haverá vinho (da salvação) em abundância: a fonte da água e do sangue. Este “Sinal” pretende cativar discípulos (v.11), que vêem a Glória de Deus (Antigo Testamento). A Igreja serva. João vai desaparecer (Antigo Testamento) para deixar o lugar a Jesus-Esposo. Vinho velho – vinho novo. 5. Sentido do Eu sou: Não é necessariamente o de Ex 3,14-15, mas muito próximo disso (1,1.18). Mediante os discursos e os sinais, equivalentes aos milagres dos Sinópticos, Jesus revela quem é. * Este Eu é exclusivo. Só Jesus é o pão da vida, a porta, a luz do mundo... Ele cumpre as promessas do Deus do Antigo Testamento (Emanuel). Por Ele nos vêm todos os dons de Deus. A origem de Jesus: Todo o Evangelho é um jogo entre De onde vens Tu? e Eu venho do Pai! Nós não sabemos (oida) de onde vimos. Jesus sim. Nós apenas aprendemos o que nos dizem (ginosko). Muitas vezes (6), Jesus diz que saiu de Deus (exerchomai). 6. Relação Pai-Filho: Jo 20,30-31: Esta era certamente a perícopa final de João. É o objectivo da vinda de Jesus ao mundo e da escrita deste Evangelho: Suscitar a fé em Jesus. Filho de Deus é o segredo da sua pessoa (Mc 1,1). Relação não única – também aparece nos Sinópticos (Mt 11,27; Lc 10,21-22) – mas mais abundante. * Sendo única a relação de Jesus com o Pai, praticamente não existe em João (diferente dos Sinópticos) a relação Pai-homens. Só em Jo 20,17 aparece vosso Pai. Isso indica a relação íntima de Jesus-Pai. Mas não exclui os homens explícita e sobretudo implicitamente. * Jesus fala do Abbá (pater) – tal como os Sinópticos – nas suas orações, porque a relação íntima com o Pai está em função da salvação dos homens. 6.1. Jesus é o Mediador. Nisto, João não é muito diferente dos Sinópticos. Aqui, as pessoas adivinham e falam de Jesus. Em João, é Jesus que diz tudo de si mesmo. Ele é o Mediador entre o Pai e os discípulos, que são chamados a estabelecer com o Pai uma relação semelhante à do Filho, o que é mais que uma simples imitação de Jesus (ver 13,14-15). Porque tem origem na relação Pai-Filho, ninguém consegue reproduzi-la. 6.2. Filho Unigénito: Só João utiliza esta expressão (1,14.18; 3,16.18). No caso de Lucas 7,12, refere-se à perda irreparável do filho único. Os Sinópticos dizem amado (agapetós), mas equivale a único (monogenés). Passa-se do campo do mandamento ao do amor. A relação Pai-Filho-ovelhas: o Bom Pastor. Os falsos pastores e o Bom Pastor (10,28-29). 7. A Vida nova: O nascimento “de novo”, “do Alto”; a gnose; carne/espírito (vem de Deus); pela água e pelo espírito. A serpente de bronze e Jesus erguido: 3,1-21. * A água viva: Samaritana: 4,1-42. Simbolismo da água e do poço no Antigo Testamento. * O Pão do céu: multiplicação dos pães (6,1-71); está no centro dos 7 sinais. A tradição sinóptica tinha transmitido 5 relatos de multiplicação de pães (em Lucas apenas 1). Havia aí indicações da Ceia, nos gestos de Jesus (eucharistein). O peixe e o pão aparecem nas catacumbas. O lugar “deserto” de João faz apelo ao pão do Êxodo. Este é o pão da nova comunidade. Jesus faz pergunta “provocatória”, como em todo o discurso: Bem sabia o que ia fazer... No fim, isso leva os discípulos a optar. Os pães de cevada lembram a multiplicação dos pães de Eliseu (2 Rs 4,42-44). Isso provoca a admiração e a ligação do público ao Profeta que estava para vir ao mundo (em Mc 6,45, Jesus obriga os discípulos a embarcar). * Os que comeram foram simples semeion do verdadeiro Pão da Vida. Para o povo, não tinha sido isso. Por isso, Jesus diz-lhes: Trabalhai, não pela comida que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna (6,27). • Diferentemente da Lei das obras dos judeus, Jesus propõe outra obra: Crer naquele que o Pai enviou. Esse é o grande “trabalho” do discípulo de Jesus. * O maná de Jesus dá a verdadeira vida – a eterna (já agora), em oposição ao maná do deserto do Êxodo. • A Palavra, que o crente deve comer, é o fundo do discurso: Ez 2,8-3,3: rolo da lei que é comido: o pão da palavra. * Há aqui alusões à Eucaristia e à Ceia pascal. São importantes os verbos: ver, acreditar, crer, comer, beber. Este final do discurso – ligado ao sacramento – só era possível ser dito no contexto das primeiras comunidades e não aos judeus. * Há equivalências entre João e a Ceia pascal dos Sinópticos e 1 Cor 11,23-25. Os discípulos são chamados a optar (6,60-71). O v. 64: Os Doze são chamados a responder, e Pedro responde em nome deles (v.68-69). Jesus liga esta confissão (v.70-71) com o ambiente da traição de Judas, na Ceia. 8. Jesus, Filho do Homem. Expressão utilizada muito menos vezes que nos Sinópticos e para explicar a origem de Jesus. Exprime a sua missão. Apesar de em Dn 7,13-14 ser o Filho do Homem glorioso, Jesus introduz um outro valor semântico oposto: a sua missão de servo humano sofredor. É o oposto do Filho do Homem, que vem do céu, segundo a linguagem apocalíptica. Nos quatro Evangelhos tem a dupla valência. * Nos Sinópticos, o Filho do Homem é sofredor – Paixão. Em João, trata-se de um movimento de subida, exaltação (à cruz), depois da descida à humanidade (3,14; 8,28; 12,23-24; 13,31). É próprio de João este vocabulário, e aproxima-se da linguagem apocalíptica. Isto é, o acontecimento maior da História encontra-se já presente (escatologia realizada). 9. Na Paixão, Jesus aparece como Deus, controlando os acontecimentos (19,30.37; ver Zc 12,10). * Quando tiverdes erguido ao alto o filho do homem, então ficareis a saber que eu sou (8,28), isto é, depois da Ressurreição. * Na Paixão, Jesus deixa de fazer discursos. Deixa que os homens cumpram a sua tarefa. Eis o Homem: manifesta irritação de Pilatos contra os sacerdotes e também desprezo por Jesus. A cena do Ecce homo exprime a comparação com o Homem de Daniel 7,13-14. Jesus já se tinha identificado com ele. É o investido por Deus. Homem é um dos títulos de Jesus em João. Esta é a glória do Filho de Deus (1,14). * Eis o vosso Rei é ainda mais depreciativo que a frase anterior de Pilatos. * Em João não há o interrogatória feito pelo Sumo Sacerdote, porque não é preciso. A sua condenação já estava decidida em 11,50-53. • A inscrição da cruz aparece nos 4 Evangelhos. Nos Sinópticos exprime desprezo, mas em João é a entronização real, apesar da paródia de Pilatos. Este é conduzido por Deus a dizer quem é realmente Jesus (ver 8,28). 10. Conflito com os judeus: É o modo de pôr em destaque a sua origem. A importância do Sábado em João entende-se neste contexto. Só Jesus e os que estiverem com Ele conhecem o Pai. E só estes conhecem Jesus. * Capítulo 8: Quem és Tu? O mistério da Pessoa de Jesus e a questão colocada pelos judeus às primeiras comunidades: Quem são os verdadeiros filhos de Abraão? (Sinópticos e Gálatas). 11. Prólogo: Um dos mais belos hinos no Novo Testamento. Estrutura concêntrica e principais afirmações (v.18-21). Importância do v.14: a “tenda” e a “glória”. 12. Caná (2,1-12): l° “Sinal” da glória de Deus em Jesus. Vinho do novo Reino em oposição ao vinho velho (Antigo Testamento). O Esposo do banquete é Jesus. João Baptista representa o “jejum” do Antigo Testamento, o que o acompanha (Jo 3,27-29; Mt 11,1819). Muita produção de alimentos é sinal dos tempos messiânicos. Maria é a Mulher-Mãe do Messias: Fazei o que Ele vos disser [1] Ver Cadernos Bíblicos nº 11, Para ler o Evangelho segundo S. João (de Annie Jaubert), Difusora Bíblica, Lisboa/Fátima, 1982; nº 40, Jesus Cristo no Evangelho de S. João (de Jacques Guillet), ib., 1993. |
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