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ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA

 

 

JUVENTUPaPa

Rounded Rectangle: ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA
 
  
JUVENTUPaPa

 

 

 

 

 

 

Na escola do pobrezinho

 

 

 

O carisma de São Francisco de Assis

Introdução

Os franciscanos, religiosos ou seculares, vivem, como preciosa herança, o carisma daquele cristão empenhado do séc. XIII, conhecido com o nome de Francisco de Assis. Não basta conhecer a dimensão poética, alegre e simpática deste santo universal.

Com o seu inconformismo e a sua coragem de raiz evangélica, ele procura difundir o espírito de fraternidade em todas as camadas sociais e de dar uma reviravolta na sociedade feudal, na qual até a própria Igreja pagou o seu tributo. É necessário para nós conhecer este carisma, recebido do Espírito Santo, que o empurrou a restaurar na Igreja o Espírito do Evangelho. Neste caminho vai até ao fundo sem irritar ninguém, mas, empenhando-se com um fervor inquietante, coloca em crise a má consciência dos ricos e dos potentes. Com o seu modo de fazer, de homem simples e humilde, se converte num testemunha vivente da possibilidade de viver segundo o Evangelho.

 

Cristo começou a formar a sua Igreja com poucos discípulos, mas se preocupou em infundir neles um Espírito novo, mostrando-lhes um modo novo de compreender e de viver a vida. Esta “forma de vida” estava escrita no Evangelho. Era uma forma concreta de amar que tinham recebido directamente do Mestre: “Este é o meu mandamento: que vos amais uns aos outros, como eu vos amei" (Jo 15, 12).

Se o Espírito Santo fez nascer na Igreja uma nova família espiritual, chamada a viver o carisma de Francisco, fê-lo para levar ao fim a missão de “restaurar a Casa de Deus que estava em ruínas” (LM 2,1: FF 1038), não pretendendo outra coisa senão de “seguir a doutrina e as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo” ( 1R 1,1: FF 2).

É necessário ir às origens da vida franciscana para saber qual era o espírito que animava e guiava Francisco nas suas trevas interiores. Quando rezava dizia somente assim: “Altíssimo glorioso Dio, ilumina as trevas do meu coração. E dá-me fé recta, esperança certa e caridade perfeita, sentido e conhecimento, Senhor, que se faça a tua santa e verdadeira vontade. Amen.” (PC:FF 276).

Não se pode ser  verdadeiros franciscanos sem conhecer o “carisma especial”, concedido pelo Espírito a Francisco, no momento em que sentia mais profundamente de “fazer a vontade do Senhor e agradar unicamente a Ele” (cf 1Reg 22,9: FF 57). O caminho que descobrira era o de viver uma vida inspirada no Evangelho.

Diz o Testamento: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrava o que devia fazer, mas o próprio Altíssimo revelou-me a forma do santo Evangelho. E eu a fiz escrever com poucas palavras e com simplicidade, e o senhor Papa ma confirmou” (Test 14-15: FF 116). Já no fim dos seus dias dirá aos frades que o “verdadeiro ministro geral não era outra pessoa, senão o Espírito Santo” (2Cel 193: FF179), porque era Ele que chamara outros, depois d’ele, a seguir aquela “forma de vida”.  Diz São Boaventura que foi sob o impulso do Espírito Santo que Francisco e os outros primitivos companheiros, um depois do outro, se reuniram em redor d’ele, desejosos de aprender o caminho da conversão evangélica (cf LM 3, 3-4: FF 1053-1054).

É muito interessante notar que deste carisma derivou uma nova espiritualidade, um novo modo de ver e de viver a vida de Deus no seio da Igreja, como uma almufada de ar fresco e renovador, que empurrou o pequeno grupo de Francisco a renovar a vida evangélica no coração dos crentes. O fizeram com uma vida marcada pelo sigilo evangélico, mais com os factos de que com as palavras.

                      O que se entende por carisma no Novo Testamento?

A palavra “carisma” vem do grego “Xarisma” [lê-se karisma], que significa “fazer um favor”. Tem a mesma raíz  de “xaris” [lê-se karis], que traduzimos com “graça”. No Novo Testamento aparece frequentemente  com o significado de dom, favor, presente. “Xaris” denota um dom generoso, um dom divino, um dom singular, único, concedido gratuitamente por Deus ao homem. Também a palavra caridade deriva de “xaris”. É de notar que a palavra “carisma” aparece dezasseis vezes nas cartas paulinas e uma vez só nas cartas de Pedro.

 

Carisma ao plural (“xarismata”) designa os dons de todo particulares e ocasionais que Deus concede em circunstâncias especiais da vida do cristão e da comunidade eclesial. Segundo o ensinamento  de Pedro e de Paulo. Os carismas Deus os concede não em benefício pessoal mas em benefício da comunidade.

O homem torna-se  o instrumento do qual Deus se serve para comunicar ao seu povo os dons que lhe quer conceder a fim de o instruir, de o santificar e de o salvar.

Nos seus escritos Paulo menciona os diversos carismas destinados à edificação da comunidade eclesial. Pedro indica somente os carismas do serviço e da palavra.

Nos Padres (da Igreja) mais antigos faz-se sempre referência ao Dom por excelência, o Espírito Santo. Cada carisma é uma manifestação deste Espírito.

 

Todos os carismas concedidos por Deus à sua Igreja devem estar ao serviço do povo fiel. Paulo adverte que entre todos os carismas “a caridade é a maior” (1Cor 13,13), ao qual todos os outros estão subordinados, a fim de manter viva a coesão entre os fiéis, chamados à comunhão e à unidade. A Constituição Lumen Gentium afirma: “Além disso, este mesmo Espírito Santo não só santifica e conduz o Povo de Deus por meio dos sacramentos e ministérios e o adorna com virtudes, mas «distribuindo a cada um os seus dons como lhe apraz» (1 Cor. 12,11), distribui também graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, segundo aquelas palavras: ; «a cada qual se concede a manifestação do Espírito em ordem ao bem comum» (1 Cor. 12,7). Estes carismas...  devem ser recebidos com acção de graças e consolação” (LG12). O Magistério da Igreja, pelo seu lado, tem a tarefa de discernir a autenticidade e a recta aplicação destes carismas. É seu dever aquele de não extinguir o Espírito, igualmente o de examinar os carismas e de conservar tudo o que é bom.

O carismático não é que se fecha em si mesmo, deve, pelo contrário, permanecer aberto a todas as manifestações do projecto misterioso de Deus. A Lumen Gentium diz que “o Espírito conduz a Igreja à verdade total (cfr. Jo. 16,13) e unifica-a na comunhão e no ministério, enriquece-a e guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos e adorna-a com os seus frutos (cfr. Ef. 4, 11-12; 1 Cor. 12,4; Gál. 5,22). Pela força do Evangelho rejuvenesce a Igreja e renova-a continuamente e leva-a à união perfeita com o seu Esposo” (LG4).

O Espírito distribui estes dons a quem quer, como quer e quando quer. No campo dos carismas tudo é dom, tudo é graça, tudo é absolutamente gratuito. O significado de “carisma” pode ser definido assim: “Un dom do Espírito concedido livremente por Deus a um fiel, que ele chama a prestar um serviço à comunidade eclesial, tornando-o ao mesmo tempo idóneo para o levar até ao fim”.

Três são os tractos fundamentais do carisma: o dom, a vocação, o serviço. Esses são uma manifestação do Espírito  em ordem à edificação do Reino de Deus, na qual se faz presente o Espírito até que chegue a sua plenitude.

 

Este artigo foi escrito pelo frei Miquel Colom,

capuchinho catalão, licenciado em filosofia na

Universidade Gregoriana de Roma.

                                                        

Tradução foi feita pelo frei Napoleão Gomes

 

Este artigo foi escrito pelo frei Miquel Colom, capuchinho catalão, licenciado em filosofia na Universidade Gregoriana de Roma.

                                                         A Tradução foi feita pelo frei Napoleão.

 

 

 

 

 

 

Flowchart: Alternate Process:  
Na escola do pobrezinho
 
 
 
O carisma de São Francisco de Assis 
Introdução
Os franciscanos, religiosos ou seculares, vivem, como preciosa herança, o carisma daquele cristão empenhado do séc. XIII, conhecido com o nome de Francisco de Assis. Não basta conhecer a dimensão poética, alegre e simpática deste santo universal.

Com o seu inconformismo e a sua coragem de raiz evangélica, ele procura difundir o espírito de fraternidade em todas as camadas sociais e de dar uma reviravolta na sociedade feudal, na qual até a própria Igreja pagou o seu tributo. É necessário para nós conhecer este carisma, recebido do Espírito Santo, que o empurrou a restaurar na Igreja o Espírito do Evangelho. Neste caminho vai até ao fundo sem irritar ninguém, mas, empenhando-se com um fervor inquietante, coloca em crise a má consciência dos ricos e dos potentes. Com o seu modo de fazer, de homem simples e humilde, se converte num testemunha vivente da possibilidade de viver segundo o Evangelho. 
 
Cristo começou a formar a sua Igreja com poucos discípulos, mas se preocupou em infundir neles um Espírito novo, mostrando-lhes um modo novo de compreender e de viver a vida. Esta “forma de vida” estava escrita no Evangelho. Era uma forma concreta de amar que tinham recebido directamente do Mestre: “Este é o meu mandamento: que vos amais uns aos outros, como eu vos amei" (Jo 15, 12).
Se o Espírito Santo fez nascer na Igreja uma nova família espiritual, chamada a viver o carisma de Francisco, fê-lo para levar ao fim a missão de “restaurar a Casa de Deus que estava em ruínas” (LM 2,1: FF 1038), não pretendendo outra coisa senão de “seguir a doutrina e as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo” ( 1R 1,1: FF 2).
É necessário ir às origens da vida franciscana para saber qual era o espírito que animava e guiava Francisco nas suas trevas interiores. Quando rezava dizia somente assim: “Altíssimo glorioso Dio, ilumina as trevas do meu coração. E dá-me fé recta, esperança certa e caridade perfeita, sentido e conhecimento, Senhor, que se faça a tua santa e verdadeira vontade. Amen.” (PC:FF 276).
Não se pode ser  verdadeiros franciscanos sem conhecer o “carisma especial”, concedido pelo Espírito a Francisco, no momento em que sentia mais profundamente de “fazer a vontade do Senhor e agradar unicamente a Ele” (cf 1Reg 22,9: FF 57). O caminho que descobrira era o de viver uma vida inspirada no Evangelho.
Diz o Testamento: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrava o que devia fazer, mas o próprio Altíssimo revelou-me a forma do santo Evangelho. E eu a fiz escrever com poucas palavras e com simplicidade, e o senhor Papa ma confirmou” (Test 14-15: FF 116). Já no fim dos seus dias dirá aos frades que o “verdadeiro ministro geral não era outra pessoa, senão o Espírito Santo” (2Cel 193: FF179), porque era Ele que chamara outros, depois d’ele, a seguir aquela “forma de vida”.  Diz São Boaventura que foi sob o impulso do Espírito Santo que Francisco e os outros primitivos companheiros, um depois do outro, se reuniram em redor d’ele, desejosos de aprender o caminho da conversão evangélica (cf LM 3, 3-4: FF 1053-1054).
É muito interessante notar que deste carisma derivou uma nova espiritualidade, um novo modo de ver e de viver a vida de Deus no seio da Igreja, como uma almufada de ar fresco e renovador, que empurrou o pequeno grupo de Francisco a renovar a vida evangélica no coração dos crentes. O fizeram com uma vida marcada pelo sigilo evangélico, mais com os factos de que com as palavras.
                      O que se entende por carisma no Novo Testamento?
A palavra “carisma” vem do grego “Xarisma” [lê-se karisma], que significa “fazer um favor”. Tem a mesma raíz  de “xaris” [lê-se karis], que traduzimos com “graça”. No Novo Testamento aparece frequentemente  com o significado de dom, favor, presente. “Xaris” denota um dom generoso, um dom divino, um dom singular, único, concedido gratuitamente por Deus ao homem. Também a palavra caridade deriva de “xaris”. É de notar que a palavra “carisma” aparece dezasseis vezes nas cartas paulinas e uma vez só nas cartas de Pedro.
 
Carisma ao plural (“xarismata”) designa os dons de todo particulares e ocasionais que Deus concede em circunstâncias especiais da vida do cristão e da comunidade eclesial. Segundo o ensinamento  de Pedro e de Paulo. Os carismas Deus os concede não em benefício pessoal mas em benefício da comunidade. 

O homem torna-se  o instrumento do qual Deus se serve para comunicar ao seu povo os dons que lhe quer conceder a fim de o instruir, de o santificar e de o salvar.
Nos seus escritos Paulo menciona os diversos carismas destinados à edificação da comunidade eclesial. Pedro indica somente os carismas do serviço e da palavra.
Nos Padres (da Igreja) mais antigos faz-se sempre referência ao Dom por excelência, o Espírito Santo. Cada carisma é uma manifestação deste Espírito.
 
Todos os carismas concedidos por Deus à sua Igreja devem estar ao serviço do povo fiel. Paulo adverte que entre todos os carismas “a caridade é a maior” (1Cor 13,13), ao qual todos os outros estão subordinados, a fim de manter viva a coesão entre os fiéis, chamados à comunhão e à unidade. A Constituição Lumen Gentium afirma: “Além disso, este mesmo Espírito Santo não só santifica e conduz o Povo de Deus por meio dos sacramentos e ministérios e o adorna com virtudes, mas «distribuindo a cada um os seus dons como lhe apraz» (1 Cor. 12,11), distribui também graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, segundo aquelas palavras: ; «a cada qual se concede a manifestação do Espírito em ordem ao bem comum» (1 Cor. 12,7). Estes carismas...  devem ser recebidos com acção de graças e consolação” (LG12). O Magistério da Igreja, pelo seu lado, tem a tarefa de discernir a autenticidade e a recta aplicação destes carismas. É seu dever aquele de não extinguir o Espírito, igualmente o de examinar os carismas e de conservar tudo o que é bom.
O carismático não é que se fecha em si mesmo, deve, pelo contrário, permanecer aberto a todas as manifestações do projecto misterioso de Deus. A Lumen Gentium diz que “o Espírito conduz a Igreja à verdade total (cfr. Jo. 16,13) e unifica-a na comunhão e no ministério, enriquece-a e guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos e adorna-a com os seus frutos (cfr. Ef. 4, 11-12; 1 Cor. 12,4; Gál. 5,22). Pela força do Evangelho rejuvenesce a Igreja e renova-a continuamente e leva-a à união perfeita com o seu Esposo” (LG4).
O Espírito distribui estes dons a quem quer, como quer e quando quer. No campo dos carismas tudo é dom, tudo é graça, tudo é absolutamente gratuito. O significado de “carisma” pode ser definido assim: “Un dom do Espírito concedido livremente por Deus a um fiel, que ele chama a prestar um serviço à comunidade eclesial, tornando-o ao mesmo tempo idóneo para o levar até ao fim”.
Três são os tractos fundamentais do carisma: o dom, a vocação, o serviço. Esses são uma manifestação do Espírito  em ordem à edificação do Reino de Deus, na qual se faz presente o Espírito até que chegue a sua plenitude.
 
Este artigo foi escrito pelo frei Miquel Colom, 
capuchinho catalão, licenciado em filosofia na 
Universidade Gregoriana de Roma. 
                                                         
Tradução foi feita pelo frei Napoleão Gomes
 
Este artigo foi escrito pelo frei Miquel Colom, capuchinho catalão, licenciado em filosofia na Universidade Gregoriana de Roma. 
                                                         A Tradução foi feita pelo frei Napoleão.
 
 
 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

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Última actualização: 02/02/10.

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