Antes dos Capuchinhos havia os Frades Conventuais e os
Observantes. E porque havia conflitos sobre quem estava a observar
verdadeiramente o espírito originário da Ordem, se deu a separação entre
eles. Mas a separação não resolvera todos os problemas. Os observantes
conquistaram a independência e continuaram a sua difusão: ao tempo da
"Ite Vos" calcula-se que houvesse cerca de 30 000 observantes e outros
tantos conventuais. O ideal de pobreza absoluta na fidelidade à regra
começara, porém, a enfraquecer. Os observantes, porém, não admitiam ser
superados em ardor reformador pelas iniciativas alguns pequenos grupos.
Uma delas proveio do observante Matteo da Bascio (±1495 - 1552), que
reuniu em sua volta um grupo na Marca Anconitana, de que fizeram parte
os irmãos Rafaelle e Lodovico da Fossombrone, para observarem a regra
sem interpretações, isenções, privilégios, vestidos com um hábito de
capuz piramidal na referência ao original de S. Francisco, levando uma
vida que associava a dimensão eremítica à pregação itinerante.
Depois de várias resistências da família franciscana, o novo ramo foi
aprovado por Clemente VII (1523-1534) na Religionis Zelus de 3 de Julho
de 1528, a pedido de Caterina Cibo, duquesa de Camerino, sobrinha do
papa e protectora da reforma de Matteo da Bascio. O novo ramo ficou
formalmente subordinado aos conventuais, mas na prática independente. A
independência formal, porém, só seria alcançada em 1619.
Em 1529, no primeiro capítulo, em Albacina, foram promulgadas as
constituições e Matteo renunciou ao cargo de vigário geral,
sucedendo-lhe Ludovico da Fossombrone, sob cuja acção a comunidade foi
consolidada e a expansão organizada.
Os capuchinhos viveram, todavia, em seguida momentos conturbados, quer
pela oposição externa, quer por problemas internos.
Ø Externamente
sofriam a oposição dos observantes que só com dificuldade admitiam uma
nova proximidade à regra que também eles reivindicavam. Em 1534,
conseguiram mesmo de Clemente VII, um decreto de supressão. O Papa
acabaria por recuar na decisão, impedindo somente a passagem de ramos
dentro dos franciscanos.
Ø Os
problemas internos, manifestaram-se em 1536, quando Matteo abandonou a
Ordem e Ludovico foi deposto e afastado, depois de não se curvar aos
decretos do capítulo.
O
capítulo geral desse ano elaborou novas constituições, reveladoras desta
reforma franciscana:
v
A observação à letra da regra de S. Francisco, sem as interpretações que
a mitiguem;
v
O clima de oração, penitência e contemplação que devia reinar nos
conventos;
v
A oração inspirada na tradição franciscana, enriquecida de elementos da
devotio moderna (uma oração de afecto, mais que de palavras; falar a
Deus com o coração)
v
A exigência de um modo de vida pobre (dormir sobre tábuas; medidas
restritas para as celas...)
v
A pobreza entendida não como fim em si mesma, mas também como exigência
de solidariedade na ajuda e na assistência aos pobres e doentes em
tempos de carestia e de peste;
v
O serviço heróico em tempos de contágio;
v
O apostolado, sobretudo através da pregação.
A
ordem passou ainda por uma nova crise, quando em 1542 o quarto vigário
geral, Bernardino Ochino (sucedeu a Bernardino de Asti), orador de
renome conhecido em toda a Itália, abandonou a ordem e apostatou,
aderindo ao calvinismo. Diante do escândalo, alguns chegaram mesmo a
pedir a supressão dos capuchinhos.
A
crise, todavia, foi superada e em 1550 a Ordem já contava com 2.500
membros, 15 províncias e 105 conventos, se bem que ainda estivesse
confinada ao território italiano. Ultrapassados os Alpes em 1574,
espalharam-se pela França, Espanha, Suiça. Em 1593 alcançaram o Tirol e
em 1600 a Baviera. Foram crescendo progressivamente a ponto de em 1625
possuírem já 42 províncias, 1.260 conventos e 17.000 membros. A pregação
e generosidade diante de pestes e epidemias, fizeram dos capuchinhos uma
das forças da Igreja pós-tridentina na reforma católica e na reacção à
reforma protestante. Os capuchinhos chegaram a Portugal apenas em 1647
por via francesa e foram chamados barbadinhos, em razão da barba usada
pelos membros da Ordem
Vice-Província
Os capuchinhos chegaram a Cabo Verde
em 1947, vindos da Província de Turim (Itália) na sequência da resposta
ao pedido do então Bispo da Diocese, D. Faustino Moreira dos Santos.
No início, respondendo as exigências da
Evangelização, começaram por dedicar de corpo e alma às necessidades da
igreja local.
Nos últimos anos, têm dado uma atenção
especial à implantação do carisma franciscano capuchinho em Cabo Verde.

A Vice
Província, criada em 1981, conta actualmente com 36 membros sendo 10
missionários italianos.